N’Cak Morgado and Lino Mané
How to connect youth empowerment with the right to education
How can the participation of adolescents and young people in a citizen action project incorporate concepts of student empowerment go together with the guarantee of human rights?
This is the proposal for the program “Citizen Path: From Dream to Action”, which is developed in Guinea-Bissau by the Essor organization, in partnership with several associations, including RENAJ – National Network of Youth Associations of Guinea Bissau.
Let’s get to know how life project activities are connected with an incentive to citizen participation within the school community, and how this methodology promotes life projects while prioritizing the rights of children and adolescents.
N’Cak Morgado, coordinator of education and training and professional placement of the NGO Essor, and Lino Saco Mané, technician of the “Percurso Cidadão” program, but also researcher, broadcaster, social activist, and coordinator of the environment and sustainable development department at RENAJ.
RUI DA SILVA: Temos aqui hoje uma novidade no nosso programa. Como vocês viram nos créditos do último episódio, nesta temporada do podcast Eduquê vamos revezar eu e Andressa, porque por vezes a agenda tem sido complicada de conciliar.
Este é o primeiro episódio que temos também dois convidados. Portanto, aqui há uma inversão. Temos um apresentador e dois convidados, neste caso, da Guiné-Bissau. E temos ainda outra novidade: estes nossos convidados estão a gravar o programa e eles estão na Rádio Jovem da Guiné-Bissau. Ainda aqui, um grande abraço para a Rádio Jovem da Guiné-Bissau e por terem facilitado este processo de gravação. E agora, sem mais demoras, eu queria perguntar como a vossa organização, a ESSOR, promove o programa Percurso Cidadão em Ação. Nos podem explicar quais são os objetivos deste programa? Como este programa está inserido no contexto social da Guiné-Bissau, tendo em conta que é um programa que é implementado em vários países, incluindo, por exemplo, no Brasil.
N’CAK MORGADO: A ESSOR desde a sua chegada na Guiné-Bissau em 2009… O espírito da emissora é ouvir os adolescentes, ouvir os jovens, ouvir essa camada para a ESSOR é de prometer com que adolescentes e jovens puderem, fora as suas aspirações para os seus sonhos e, a partir deste sonho, a inspiração dos adolescentes jovens… Propor uma ideia para esta camada pode iniciar uma vida de uma forma condigna, porque muitas vezes esquecemos que é uma camada também que tem palavra. Tomando em consideração a realidade socioeconômica e sociopolítica da Guiné-Bissau, em que num meio comunitário são os mais velhos é que podem falar, são os mais velhos que têm que dizer tudo no sentido de orientar os mais novos. E o Percurso Cidadão veio propor aos jovens esse espírito de serem eles a planejar o futuro, ajudando estes jovens a poderem ser autores da mudança da sua comunidade e da sua realidade onde estão a viver. Também considerou que tem como objetivo responder às necessidades destes jovens, a necessidade no sentido de poderem ser elas a falarem, de poderem ser elas, a proporem, de poderem ser eles a desenharem o caminho que querem andar também e, no sentido objetivo, também temos de fornecer aos jovens uma ferramenta que lhes permita conseguirem andar num bom caminho. Para conseguirem poder ajudar os jovens, o que na verdade… O espírito guineense é, falando na realidade guineense ou espírito guineense de cada um… Muitas vezes ver a sua comunidade pelo fato de nós temos o espírito nacional, mas também temos… Nós chamamos da morança, da tabanca, que na Europa se chama aldeia. Essa vedação humanitária, o espírito da História é de mostrar a estes jovens que nós não terminámos na nossa vida, não acaba na nossa aldeia, na nossa tabanca, na nossa comunidade, vai para longe, vai para os outros lugares… Vendo a realidade da globalização fornecer aos jovens essa habilidade de poder integrar numa outra realidade, a realidade fora do seu meio.
N’CAK MORGADO: Também de estimular a confiança, de poderem estar no meio da sociedade e de se poderem integrar, porque muitas vezes pensamos que todos podem integrar. Mas é verdade que nem todos podem entrar no meio onde não conhecem. O Percurso Cidadão dá aos jovens essa habilidade de se poder buscar, como chegar, onde chegar, porque o chegar é uma outra coisa, o estar que é importante, o saber entrar, o saber… Melhorar o nível de conhecimento e de competência desses adolescentes, porque os temas que são abordados no Percurso Cidadão são temas da atualidade. A sexualidade, hoje pergunta-se que é muito logo quando um adolescente cresce… Ter três, quatro namoradas ou ter quatro ou cinco namoradas… Este poliamor e a poligamia que na realidade africana, a realidade guineense, é muito bem conhecida. A luta é mostrar aos jovens que isso tem a sua consequência e como é que nós, enquanto adolescente, podemos crescer no meio desta situação em que os nossos pais estão metidos. Como é que nós podemos lidar com a essa realidade e não ficar a pensar que isto é que é bom? É perceber que o poliamor, a poligamia, não é algo que se ajuda no desenvolvimento integral da pessoa humana. Também luta-se a melhorar a vida dos jovens. Aquele espírito de pensamento crítico, como eu disse no início, para um guineense, no meio onde está, com idade adulta… Mas não podem falar mesmo que uma ideia boa, mesmo tendo uma ideia que pode juntar o seu meio à sua comunidade crescer, não ter que falar no meio da pessoa adulta…
RUI DA SILVA: Interessante esta vossa abordagem, mas pode nos explicar melhor como é que funciona a metodologia de ação deste programa do Percurso Cidadão? Como é que funciona esta metodologia? Como é que trabalham com os jovens nas comunidades e todos os parceiros?
N’CAK MORGADO: A metodologia é integrada na comunidade. É uma metodologia que permite com que desde da comunidade até aos parceiros pode-se pronunciar, começa ser com o que nós chamamos de visita à comunidade. A primeira coisa que se faz lá não é ir visitar a comunidade. Os animadores vão, as famílias vão visitar os adolescentes, vão falar com os adolescentes. Dá para considerar o que é que isso pode trazer para a família os benefícios e como é que a família? Ou de integrar também o acompanhamento dos meninos os adolescentes que saem da casa. Depois disso, faz-se a inscrição, depois da visita, mostrar à família a importância do Percurso Cidadão, faz’se uma inscrição. As famílias interessadas vão inscrevendo os adolescentes. Luta-se em envolver desde o início a família ou a inscrição… O que nós chamamos de cinco meses, em que os adolescentes são orientados dos temas, vão orientar os temas que são já pré-definidos e outros temas que pode-se integrar. E nesta dinâmica o Percurso Cidadão de cinco meses faz o que nós chamamos de visita domiciliária, que quer dizer que os animadores, que são formados, vão à casa destes adolescentes para perceber se o que estão a receber nas oficinas, como o cidadão está a refletir na vida das gentes… Nesta comunicação, o diálogo com a família permite perceber como redirecionar os adolescentes para uma conduta social, para uma conduta da vida integrada. Depois disso, faz-se o que nós chamamos de educação parental. Os temas que serão abordados com os adolescentes também são abordados com a família para permitir à família poder andar no mesmo nível com os adolescentes. Porque muito nós pensamos que o que se passa ou que se fala na oficina, os pais também têm de se adaptar. Achamos que consideram que os pais também devem ser formados. Formados no sentido de poderem debater sobre o tema. E a regra geral é aquele espírito adolescente. O adolescente ensinar o adolescente. O jovem ensinar o jovem. É um debate aberto, um debate em que não existe o animador. Estar lá com uma pessoa orientando, não uma pessoa para estar, para orientar o debate. Esta é a metodologia do Percurso Cidadão.
RUI DA SILVA: Como já referimos um pouco, não é, o Percurso Cidadão envolve as famílias, mas também envolve organizações, como, por exemplo, a RENAJ – a Rede Nacional das Ações Juvenis. E se calhar deixava o Lino explicar um bocado. Enquanto membro do Percurso Cidadão, ex-participante do Percurso Cidadão, membro da RENAJ e agora como técnico também do projeto… O que nos podia explicar melhor como é que, por exemplo, a RENAJ se envolve neste programa e qual é o contributo para o programa da rede, na RENAJ, mas também dos outros parceiros.
LINO SACO MANÉ: Também vou dar espaço para agradecer à agência da Rádio Jovem. Dizer que a RENAJ é uma organização que podemos dizer que é uma rede que congrega 81 organizações. Tem como missão que é promover a saúde juvenil como uma forma de combater a pobreza e o desenvolvimento sustentável. Na nossa opinião, isso seria possível com a envolvência dos jovens na tomada de decisão, mas também em outras áreas. Eu, em 2017, trabalhei como um estagiário do PC e também fazia outros trabalhos. Começou naquela altura. Não era membro da direção da RENAJ. Isso aconteceu em 2019. Dois anos depois. Em 2021, começamos o processo de trabalhar com essa companhia. É uma coisa que eu já havia conhecendo há algum tempo e que no início o nosso objetivo era exatamente através do curso geral, dinamizar mais a missão da RENAJ em como procurar os jovens nas suas comunidades. Isso aconteceu porque a RENAJ também tem um espaço de educação não formal, que acontece todos os anos em agosto, que é a Escola Nacional de Voluntariado. É diferente porque geralmente é direcionada aos adolescentes de 14 a 18 anos. Nessa, que é uma missão de formação do que é uma coisa nova, mas não é uma coisa nova para mim, que já trabalhei com curso de aplicação. O Percurso Cidadão consegue nessas comunidades… Já agora, com o… E com a AGRECE, que significa Associação Guineense de Reabilitação de Cegos, que sucederam… Está a ser implementada em parceria, em colaboração, em estreita sintonia, com essas organizações… Acontece duas vezes por semana, às quartas e sextas feiras e com isso acontece num dia… E nós, enquanto RENAJ, eu faço do trabalho não só de vários animadores, mas também concretamente, podemos até ver, de conteúdos durante cinco meses, trabalhar com cada adolescente que se inscreveu num curso.
RUI DA SILVA: Continuávamos com o Lino porque tinha mais uma pergunta para si, que era como ex- participante deste programa do Percurso Cidadão – do Sonho à Ação. Pode nos contar qual foi o impacto que este programa teve no seu trajeto pessoal e agora também profissional, se calhar.
LINO SACO MANÉ: Por exemplo, no início eu estava entrando na universidade. Agora já terminei. Não conclui ainda todo o processo acadêmico. Mas o que considerou marcou a minha entrada enquanto estudante de Sociologia, que é uma parte que me ajudava a entender realmente o conceito social e a dinâmica das comunidades. Porque realmente, quando se trabalha com adolescentes, temos que olhar para além daquilo que é apresentado nas sessões do futuro, principalmente os espíritos, a auto confiança, o exemplo do sentimento mais livre, muito mais à vontade, muito mais preparado em suas famílias. Por exemplo, nós trabalhamos com adolescentes que estão numa situação de precariedade, chamamos crianças carenciadas e vamos ver isso no contexto da Guiné-Bissau. É difícil dizer isso, porque a Guiné-Bissau é caracterizada pela pobreza que existe e é difícil distinguir uma criança carenciada de nota. Então nós estamos nesta situação que me permitiu conhecer não só a realidade sociológica das crianças, mas também como através de estratégias e metodologias de percepção do curso, podemos orientar os docentes e conseguir devidamente multiplicar esses conhecimentos.
RUI DA SILVA: Tendo em conta um aspecto importante que foi referido agora que é, digamos, os índices elevados de precariedade e de pobreza. Temos agora, além da estabilidade política da Guiné-Bissau, temos agora algo que não acabou. Pode parecer em alguns países que já acabou, mas não temos a pandemia de Covid-19… Podem nos contar qual o impacto que a pandemia de Covid-19, tem tido nos jovens e novamente o PC… Como o programa Percurso Cidadão tem contribuído para mitigar estes efeitos?
LINO SACO MANÉ: Exatamente quando me falou isso, eu também falei dos cinco meses de Percurso. Em cada mês abordamos um tema e bem, temos subtemas. Mas exatamente no mês de agosto fala-se de saúde e prevenção, que não existia antes de a pandemia Covid. E foi uma adaptação à nossa realidade, à realidade mundial, também porque a Covid-19, no início, todo o mundo esperançava que uma coisa ia chegar e depois, há quanto tempo, vai passar. Mas ao longo do tempo percebemos que isso é uma coisa que não vai sair de imediato. Então adiantamos as metodologias, os conteúdos para que as crianças possam… Através do Percurso Cidadão podemos sensibilizá-los e podemos tratá-los, porque também é uma atividade dentro do PC para multiplicar essas informações nas escolas ou bancadas, ou seja, onde o grupo de jovens costuma agrupar.
RUI DA SILVA: Se calhar para os nossos ouvintes que não estão familiarizados, pode só explicar melhor o que é que quer dizer o que é que na Guiné-Bissau se chama de bancadas. Os ouvintes que estão fora da Guiné-Bissau não vão perceber o que é uma bancada na Guiné-Bissau, quando se chamam bancada. O que é que isto quer dizer?
LINO SACO MANÉ: Há de ser um espaço onde jovens, num plenário da tarde ou de manhã, as pessoas costumam se agrupar em um bairro para um convívio. Não é restaurante, não é bar, é um convívio, sempre. Nós procuramos, às vezes, os docentes para ir lá fazer sensibilização, para as mensagens, que na altura também estavam a ser divulgadas pela equipa do Comissariado da Guiné-Bissau, em estreita colaboração com conhecidos e algumas mensagens que podem ser benéficas para a comunidade. Se calhar não sei se isso.
N’CAK MORGADO: É só para dizer que inicialmente diziam que os jovens estavam perdidos. É mesmo? Mas quando chegou a notícia de que estamos perdidos, levando em consideração que a Guiné-Bissau… Não estamos preparados para poder gerir a situação pandêmica. Neste caso, do Covid-19. Ficamos preocupados daí, através da utilização do tema de saúde e prevenção, aproveitarmos para os jovens no sentido de poderem eles a multiplicar as informações de prevenção nas famílias. Muitas vezes isso deu grande impacto. Havia inicialmente famílias que queriam tirar os jovens de Bissau, porque também o comportamento da autoridade nacional não foi inicialmente nada boa. Começaram por parar parar tudo numa sociedade em que as pessoas não têm nada, nem havia circulação, nem havia já ação ajustada para o Estado poder subvencionar ou ajudar a população. Havia realmente uma pobreza. Os adolescentes e jovens o serviram como aqueles que vão pedir, através da ação solidária, que uma parte para vocês não pedir aos que têm para se poder, que pegaram as contribuições das pessoas que têm emprego… Mulheres que fazem cultura, davam o que têm, o que produziam para levar às famílias que não têm como sistemas… E isso permite aos adolescentes poderem chegar a esse espírito de Covid. Para nós, o impacto foi muito porque os adolescentes realmente perceberam que a pobreza… É como que no meio da pobreza nós podemos ajudar uns aos outros? Como é que podemos ser os verdadeiros irmãos da situação? Isso ajudou muito e o impacto do Percurso Cidadão nesta questão de Covid-19 é a ação mais de solidariedade. Os que têm, poder ajudar os que não têm. Que é uma realidade muito bem vivida aqui na Guiné-Bissau, como estava a dizer, não é possível perceber quem é que tem, quem é que não tem. Nós vivemos, vivemos numa vida comunitária. Quem tem, ajuda quem não tem. Mas também não é menos verdade que está a crescer a dimensão do nível social, que é grande. Os que têm muitas vezes fecham com o que têm. E Percurso Cidadão permitiu com os que têm e não tem pudessem viver no mesmo nível.
LINO SACO MANÉ: Por exemplo, também naquela altura, como um gajo que estava a dizer a dinâmica social que se estava a viver na Guiné-Bissau. Apenas um pouco de desconfiança e dificuldade em como eles vivem. Porém, realizar eventos que até recentemente agrupam pessoas, tipo 20, 50 pessoas, num determinado espaço. Mas você veio dar um exemplo de que é possível organizar o espaço, que naquela altura foram suspensas todas as dinâmicas escolares e, por exemplo, isso atrasou um pouco a situação de identificação das crianças, porque eram associadas à escola. Relacionamento também. Então, nós, até ver, no Percurso Cidadão, podemos dizer que criamos um modelo alternativo de que podemos avançar com a educação, que podemos levar àquelas salas de aula, adaptando-se à realidade do convívio com novas abordagens, com a introdução de máscaras, mas também um distanciamento, e outras de cunho epidemiológico que conseguimos ter acesso, mas também como colocar isso em funcionamento. E funcionou. A dinâmica está a ser implementada com as crianças e o PC está a ser alargado para toda a escola porque tem uma escola de infância. Tem outras crianças também com deficiência visual, que através de mentoria, o distanciamento e a própria dinâmica da sala, conseguimos se adaptar metodologias e melhorar a educação de crianças.
RUI DA SILVA: Acho muito interessante. Os nossos ouvintes hoje já ficaram mais familiarizados com outros conceitos. Como já falaram das bancadas de um bairro… O que acontece nas bancadas de um bairro. Já o de cá, que também falou das moranças e das tabancas, que já é muito interessante… Que estes nossos diálogos com vários interlocutores, conceitos e expressões de outros países circulem melhor e as pessoas conheçam… Mas agora, para finalizarmos a nossa conversa, e depois o Lino pode e deve responder de onde quer, que também a esta pergunta perguntem para os dois, tendo por base a vossa experiência e o trabalho que fazem no Percurso Cidadão: do Sonho à Ação. Conheçam qual é o conselho que vocês dão para quem está na linha da frente da educação? Qual é o conselho que vocês dão tendo por base até mesmo vocês, que já foram falando como o Percurso Cidadão, não é, como as atividades do Percurso Cidadão ajudaram o regresso das crianças à escola e a se adaptarem às questões da pandemia.
N’CAK MORGADO: A educação formal e a educação não formal estão há muito tempo se complementando. Mas o que eu queria dizer é que através da experiência do Percurso Cidadão, nós vamos criar algumas ideias. Primeira: que a capacidade de produção de conhecimento das crianças e dos adolescentes possa ser mais pacífica. Podemos dizer que não é a mesma coisa com outros membros da sociedade. Isso quer dizer que dentro da nossa dinâmica de ensino, devemos ter a capacidade de criar estratégias para adaptar-se aos contextos que podem aparecer a qualquer momento, como o convívio que apareceu em todos… O processo de ensino na Guiné-Bissau… Porque não só a nos jardins e nas escolas secundárias, mas aconteceu também na universidade. Por exemplo, a minha universidade ficou suspensa por quase dois meses de funcionamento porque não tinha estratégias de plano para se adaptar e o Alto Comissariado do Ministério de Educação não soube criar estratégias e planos, que era a única coisa que fazia suspender tudo até a dada altura. Depois de voltar a aprender… Posso dizer sobre isso com uma facilidade que realmente podemos continuar a dar. Que é… Só que haja espaços entre as crianças. Eles possam falar e divulgar informações e discutir sobre alguns assuntos, mas também de, através da metodologia, criar o laço que vai criar mentalidades e elevar a consciência do ambiente para que ele possa cuidar. Vamos imaginar que numa escola temos 100 alunos. Cada um pode se cuidar, tem que tomar medidas de prevenção e não ficar junto ao outro, tenho certeza que vamos ter um espaço livre dentro de escolas, que basicamente vão ser uma mera continuidade. Isso é a primeira coisa.
LINO SACO MANÉ: A segunda coisa é que quando uma estrutura, nesse caso, por ser o Ministério da Educação ou outra instância da governação na Guiné-Bissau, por entender… Vamos ter uma política que não só vai nos permite adaptar a situação, mas também vai nos permitir continuar a melhorar, claro. O sistema de ensino, sabe… São conselhos que eu tenho e vou deixar cada um.
N’CAK MORGADO: Eu gostaria de dizer que a educação deve ser pensada no sentido de preparar os jovens para que possam viver nessa sociedade. O que nós, na Guiné, pensamos que são nessa realidade é que é só olhar os conteúdos que já são programados – e muitos de nós não pensamos que as realidades mudam, nós não pensamos que a dinâmica social… E nós nos adaptamos a esta realidade. Estamos num mundo em que, como disse a Unesco, através da Educação para o Século XXI, que eu sinto de preparar os jovens para uma convivência social, para poder aprender, aprender a conviver, aprender a ser. É isso que deve ser a nossa dinâmica de ensinar. É nesse Percurso Cidadão percebemos que os nossos jovens devem pensar nos jovens, para a sociedade, não nos jovens para serem instruídos como pessoas que reagem de uma forma mecânica. Isto é matemática, um mais um, e um não comer, um mais um pode ser como é na realidade social, por ser interpretada e por ser vivida… E quando nós estamos a pensar a educação, devemos pensar na educação, no sentido da convivência social, porque todo o ser humano preparado na escola vai vivendo numa sociedade. E essa sociedade, hoje, não necessita de quem é mecanicamente instruído e, quem sabe, se relacionar com ela.
LINO SACO MANÉ: Bem, aqui, entre educação não falta e que também sempre entrou em informal viver onde nós estamos e como nós podemos andar onde nós estamos. E o sistema educativo, a meu ver, deve saber enquadrar o seu conteúdo no seu currículo, a vivência social, os temas da atualidade, como eu diria anteriormente sobre a poligamia, que também na sociologia se vê, mas nada a ver como é que é interpretada a situação da sexualidade, como é que se vê e como é que é interpretada a situação de sentir se que pertencem à sociedade? Como é que tu pode estar contra isso nessa sociedade? Como é que tu podes trabalhar para desenvolver, e melhor de tudo, preparar os jovens para poder construir o seu percurso? O processo? Como é que ela pode se construir a sua vida? Como é que ela amanhã poderá viver a sua vida? Na Europa, isso é bem que bem enquadrado, mas na realidade africana ou guineense, ainda tem grandes lacunas. E os nossos valores de educação têm que ir para ficarmos com os conteúdos da vida, para integrar os conteúdos, os conteúdos da aprendizagem. Isso o que eu acho que é importante, começar do zero. Sei que é difícil porque realmente há que pensar a educação, como é que é estruturada mentalmente. Para mim é mais do que ensinar, para mim a educação é preparar os jovens para viver na sociedade.
RUI DA SILVA: N’Cak Morgado e Lino Saco Mané, muito obrigado por terem vindo ao Eduquê.
N’CAK MORGADO: Para nós é uma grande alegria, opinar e vir a partilhar esta entrevista convosco.
RUI DA SILVA: Você pode acessar o manual do programa “Percurso Cidadão: Do Sonho à Ação” em www.essor-ong.org/pt/casa/ .
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